Muito além do simples contato com cavalos, é uma experiência rica em afeto, conexão e evolução. Ela une áreas como psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, pedagogia, enfermagem, equitação e medicina veterinária.
A Equoterapia tem se mostrado altamente eficaz no desenvolvimento do tônus muscular, da coordenação motora, do equilíbrio e da postura. Ao acompanhar os movimentos rítmicos e tridimensionais do cavalo, o paciente é estimulado a se reorganizar corporalmente. Isso ativa músculos profundos, melhora o controle motor e contribui diretamente para uma postura mais estável. A professora de psicologia da UniRitter, Susani Oliveira, explica como essa prática terapêutica também oferece melhorias para a saúde emocional dos pacientes.
Os benefícios à saúde mental dos pacientes
Além dos ganhos físicos, a equoterapia tem impacto profundo na saúde mental. “A prática ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, porque conecta muito o paciente com o momento presente. É praticamente um exercício de mindfulness, onde ele está ali, vivendo aquele instante com o animal, com o corpo e com as emoções”, afirma.
Ela também destaca que o contato com o cavalo pode estimular a autoestima e a autoconfiança. “Trabalhar com um animal de grande porte, estabelecer uma relação de cuidado e condução, traz uma sensação de conquista muito forte. Isso é transformador, principalmente para pessoas que chegam com baixa autoestima ou com bloqueios emocionais”, acrescenta.
Psicologia em auxílio à medicina veterinária
O sucesso da equoterapia depende da comunicação constante entre as áreas envolvidas, em especial a psicologia e a medicina veterinária. “Eu entendo que as duas áreas são muito próximas e precisam se comunicar. A psicologia traz o olhar para a saúde mental do paciente, enquanto a veterinária cuida do bem-estar do animal. Uma complementa a outra. Não tem como funcionar bem se estiverem desconectadas”, afirma.
Ela explica que o veterinário é responsável por orientar o manejo adequado, o tempo de atividade dos cavalos, a escolha do animal ideal para cada caso e avaliar as condições físicas e emocionais do animal. Já a psicologia observa os efeitos emocionais, comportamentais e relacionais da interação durante a terapia.
Como os participantes respondem a equoterapia?
Durante a prática, diversos conceitos da psicologia são aplicados. Um deles é a ativação comportamental, muito usada no tratamento da depressão. “O paciente com depressão tem dificuldade de realizar até tarefas simples do dia a dia. Quando ele começa a se engajar na equoterapia, vai percebendo que consegue fazer algo, sente prazer, bem-estar, e isso reforça comportamentos positivos”, explica a docente.
Outro ponto forte é o desenvolvimento das habilidades sociais, especialmente em pacientes com dificuldades de interação. “Durante o circuito, o paciente interage com o animal e com os terapeutas. Aprende a pedir, a se comunicar de forma assertiva, a entender limites, a lidar com frustrações. Isso é essencial, principalmente para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou fobia social.”
Resultados clínicos
“Os pacientes respondem muito bem. Já acompanhei casos de pessoas com fobia social, com ansiedade severa e até com depressão profunda que apresentaram melhora significativa com a equoterapia. É uma prática que complementa a psicoterapia tradicional ou, em alguns casos, até a substituí momentaneamente.”
Ela destaca que, em cinco anos de supervisão, só recebeu relatos positivos. “Sempre escuto histórias de superação, de avanços emocionais e físicos. Muitos pacientes que fazem equoterapia conseguem, por exemplo, diminuir crises de ansiedade, melhorar o sensorial, ganhar autonomia corporal e até desenvolver mais concentração em atividades escolares ou profissionais”, complementa.
