As baixas temperaturas do inverno podem ter sérias consequências à saúde e ao bem-estar dos animais, especialmente daqueles que vivem em situação de rua. O frio intenso, somado à umidade e à escassez de alimento, cria um cenário ainda mais preocupante. Desde maio de 2024, no Rio Grande do Sul, essa realidade ficou mais dramática diante das enchentes históricas que atingiram tanto as pessoas quanto os animais, resultando em um aumento expressivo no número de cães e gatos perdidos, resgatados e desabrigados.
Muitos desses animais de estimação não apenas enfrentam o trauma físico do desastre climático, mas também carregam sequelas emocionais causadas pela separação abrupta de seus tutores, pelo medo e pela instabilidade vivida. A professora de Medicina Veterinária da UniRitter, Mariana Teixeira, explica os principais riscos enfrentados pelos pets no inverno, os impactos das enchentes mais recentes e os cuidados fundamentais para quem deseja adotar um novo bichinho.
Os perigos do inverno
Com a chegada do frio, a situação dos animais abandonados se torna crítica. “O abandono gera transtornos gigantes para o animal, principalmente no inverno. Eles ficam expostos a temperaturas muito baixas, umidade constante e, muitas vezes, sem acesso à comida de qualidade ou abrigo”, alerta a especialista. Essas condições favorecem quadros de hipotermia, lesões térmicas (queimaduras por frio), doenças respiratórias e dermatológicas, além de uma queda brusca da imunidade. Sem o suporte adequado, muitos desses animais não resistem.
“A comida é uma fonte de calor. Um animal bem alimentado consegue manter a temperatura corporal com mais eficiência. Mas nas ruas, o acesso ao alimento é limitado ou inexistente”, explica Mariana.
Enchentes e abandono
As enchentes do ano passado, assim como as recentes que atingiram o RS em junho, trouxeram uma nova onda de sofrimento para os animais. “As enchentes são eventos catastróficos. Em maio de 2024, muitos animais foram resgatados sem identificação e ficaram sem referência de suas famílias. Além disso, vimos casos em que as pessoas usaram a tragédia como justificativa para se livrar de animais que já representavam um problema”, relata a docente.
Outro fenômeno preocupante foi o aumento de adoções por impulso, seguidas por devoluções em um curto período. “Tivemos muitos animais adotados nas enchentes e devolvidos em menos de dois meses. São animais traumatizados, que precisam de adaptação, paciência e cuidado psicológico”, explica a especialista, que orienta sobre como é possível realizar adoção responsável de animais de estimação.
Seis passos para ser responsável ao adotar um pet
A adoção é uma atitude linda, mas que exige preparo. A professora de Medicina Veterinária da UniRitter explica que animais resgatados podem apresentar comportamentos diferentes, apresentando fobias e traumas. Siga as orientações da especialista para realizar uma adoção com responsabilidade:
1- Escolha um local de confiança
Procure abrigos sérios, organizações de proteção animal ou instituições ligadas à Prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, que estão abrigando animais resgatados.
2- Avalie sua realidade
Antes de adotar é preciso realizar uma autoavaliação:
- Você tem tempo para se dedicar a um animal de estimação?
- Tem recursos financeiros para alimentação, vacinas, consultas veterinárias e possíveis imprevistos?
- Possui um espaço de moradia adequado para o porte e nível de energia do animal que deseja adotar?
3- Escolha um animal que combine com você
Filhotes precisam de mais atenção e gastam mais energia. Cães grandes exigem espaço e passeios diários. Converse com os cuidadores do animal no abrigo sobre o perfil do pet para garantir um bom encaixe com sua rotina.
5- Busque atendimento veterinário o quanto antes
Leve o animal a uma clínica ou hospital veterinário de confiança para uma avaliação completa. O profissional poderá identificar doenças silenciosas e orientar sobre alimentação, higiene, comportamento e socialização.
6- Ofereça tempo, carinho e paciência
Muitos desses bichinhos podem demonstrar insegurança, medo, ansiedade ou agressividade. Com tempo e afeto, é possível reconstruir a confiança deles.
“Esses animais precisam entender que não vão mais passar fome, frio ou abandono. A adoção precisa ser feita com responsabilidade e disposição para cuidados emocionais também”, reforça Mariana.
