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ARTETERAPIA: INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Raquel Maria Rossi Wosiack
RESUMO Palavras chaves: Arteterapia, extensão, projeto social. ABSTRAT This article aims to present the project Art therapy: instrument of social transformation developed by Centro Universitário Feevale, in its second edition, its scope for the institutions and the benefits for the people attended, discussing the guiding principles of Art therapy, as the basis of activities that graduating students in extensions places do, either in the form of research and art therapeutics actions. Key words: Art therapy, extension, social project. INTRODUÇÃO
O projeto Arteterapia: Instrumento de transformação social constitui-se num espaço de reflexão e articulação de projetos sobre o uso da arte em diferentes contextos e através de diferentes formas de expressão, buscando o melhor entendimento do indivíduo como ser humano criativo e a reinserção deste mesmo indivíduo na vida da comunidade a qual pertence. Por utilizar a arte como recurso, investiga fatos desde os primórdios da nossa cultura e conseqüentemente também do ser humano, desvendando mistérios do nosso inconsciente individual e coletivo (JUNG,2000) desta forma, tornando-se um instrumento de melhoria da qualidade de vida dos participantes. A Arteterapia é um processo terapêutico, que ocorre através da utilização de modalidades expressivas diversas, permitindo que o participante expresse através de símbolos seus conflitos e afetos. Sua função social é expressar a compreensão da realidade, podendo recriá-la renovando a cultura, sua função psicológica é proporcionar a organização das percepções, sentimentos e sensações. A função criativa é elemento essencial no processo arteterapêutico já que a criatividade é um potencial inerente ao ser humano e que a sua realização é uma das suas necessidades primordiais. O homem não cria porque quer, mas porque precisa. E, ao criar, o homem relaciona, forma, ordena, configura, significa. Desta forma, o ser humano passa a ser o ponto focal, o ponto de referência, pois relacionamos, ordenamos, associamos os fenômenos externos aos internos e vice-versa, através das nossas sensações buscamos os significados, nos motivamos para criar. Assim, os comportamentos criativos do homem se baseiam na integração do ser sensível, cultural e consciente. (OSTROWER, 2001) Ao nos referirmos a esta relação entre sensações internas e externas sabemos que as nossas sensações internas, vinculadas ao inconsciente, são elaboradas através da percepção, a qual ordena seletivamente os estímulos, chegando ao consciente de forma organizada. A percepção delimita o que somos capazes de sentir e perceber. Articula o ser dentro do não ser. Dessa forma, é através do potencial criador que nosso raciocínio consciente se aprofunda, ligando-o ao intuitivo (até mesmo inconsciente), permitindo vivenciar o nosso ser e agir criativamente. Para Urrutigaray (2004, p.28), a arte pode transferir o conteúdo interno de forma concreta: A arte se converte em um elemento facilitador ao acesso do universo imaginário e simbólico, permitindo o desenvolvimento de potencialidades latentes ou rituais, bem como o conhecimento de si mesmo. Ao trabalhar com materiais plásticos o indivíduo tem a possibilidade de criar uma nova forma a partir de uma forma original. Materiais como argila, lápis, tinta, papel, etc, realizam por um lado a execução prática de uma ideia (fantasia, sentimento, conflito, etc.) como exercitam a inteligência ao dar uma nova configuração a um modo particular de ser. Portanto, a arteterapia além de trabalhar com o ser criativo, também possibilita o contato deste mesmo ser com o seu inconsciente, fato já abordado por Jung em sues estudos. Porém, o estudo e a sistematização da Arteterapia iniciaram em 1941, nos Estados Unidos, com Margareth Naumburg, tendo como base o pensar freudiano e junguiano, sendo seguida por Edith Kramer na década de 50. No Brasil, Nise da Silveira, na década de 40, criou a seção de terapêutica ocupacional do Centro Psiquiátrico D.Pedro II no Rio de Janeiro e, em 1952 funda o Museu de Imagens do Inconsciente, acervo onde são conservados e organizados trabalhos de expressão dos internos na instituição já referida.( ANDRADE, 2000) Nise reconhece no trabalhar do paciente uma força auto-curativa, a criatividade que é inerente a necessidade de expressar-se. ( SILVEIRA, 2001) O trabalho de arteterapia dentro da saúde mental tem sido largamente utilizado no Brasil e no exterior. Desta forma o que se está propondo dentro deste projeto é o uso da arte como estímulo e elemento desencadeador da cura, em primeiro lugar porque a arte por si só já é terapêutica; muitos são os casos de pessoas que se conhecem melhor, sentem melhor, pensam melhor e fazem melhor após ter contato com a arte, justamente pelo fato de as artes serem parte integrante do ser humano. Sabemos que o intelecto não é a única via de conhecimento. Não conhecemos uma cidade lendo seu guia telefônico ou olhando sua cartografia. É preciso algo mais. É necessário integrarem-se outros meios: sentimentos, emoções e a própria atividade do ser humano, que é muito mais valiosa. Além dos aspectos citados acima o projeto Arteterapia, instrumento de trnasformação social visa integrar o ensino, a pesquisa e a extensão. É, também, uma referência para a comunidade em geral, na medida em que proporciona espaços de reflexão em torno das diferentes formas de inserção da arte, desde fins estéticos, educativos, lúdicos, recreativos e terapêuticos, desenvolvidos por professores, acadêmicos e voluntários. Compartilhamos com Susan Bello (2003) o sentimento de que é preciso desenvolver um curso nas universidades preparando professores para o aprendizado simbólico, intuitivo e emocional. Acreditamos também que a desestruturação antecede a transformação e a proposta aqui apresentada pode constituir-se numa nova via de aprendizado e de conhecimento, que vai possibilitar a concretização de um novo paradigma, onde todos têm direito à felicidade, ao prazer e a harmonia As ações propostas no projeto estão relacionadas com a identidade comunitária da Feevale tanto na gestão quanto na sua inserção e com o contato constante com a comunidade externa, oferecendo a possibilidade concreta de transformação social, contribuindo assim para o processo de desenvolvimento da pessoa humana no entrecruzamento das competências acadêmicas, científicas, profissionais e sociais. Com certeza, os espaços de atuação deste projeto podem ser um campo frutífero para o surgimento de uma linha de pesquisa dentro da instituição. Como a atuação na Saúde Mental, no NAP (núcleo de atendimento pedagógico) da Smed-NH (Secretaria Municipal de Educação e Desporto), na Clínica de Saúde Mental Francisco de Assis, no Movimento Terceira Idade e no Atelier Terapêutico, já que a função de participação social na vida da comunidade proposta no PDI da Feevale, é concebida como uma instituição comunitária, propondo que toda atividade acadêmica está a serviço da comunidade, ou seja, a função social deste projeto. Este projeto tem como objetivo geral: aumentar o nível de consciência da população atendida de forma que facilite a prevenção, a manutenção e a reabilitação em saúde mental, através de diferentes manifestações criativas, melhorando assim a qualidade de vida dos participantes. Espera-se que a partir das atividades desenvolvidas, onde estaremos buscando o autoconhecimento, o aumento da auto-estima a melhoria da auto-imagem o desenvolvimento do ser criativo, os participantes sejam capazes de tomar parte mais ativamente da vida na comunidade (caso dos idosos, dos professores e funcionários da Secretaria da Educação e dos Desportos e dos usuários dos serviços de saúde mental), melhorando sua qualidade de vida. (todos os participantes) e diminuindo o número de internação por surtos (caso dos usuários dos serviços de saúde mental). (todos os Alguns objetivos específicos referem-se à aplicação das atividades expressivas que devem ser direcionadas para que possam atingir o objetivo geral, portanto as atividades expressivas aplicadas aos participantes serão o palco para que os seguintes objetivos específicos possam ser atendidos: Essas ações ocorrem nos seguintes espaços da comunidade: As pessoas do Grupo da Terceira Idade participam voluntariamente através de inscrição na secretaria de extensão do campus I. No NAP-Smed-NH os adolescentes são encaminhados pelas escolas municipais. Os professores inscrevem-se voluntariamente no próprio NAP-Smed-NH. Na Clinica de Saúde Integral Francisco de Assis, os participantes são encaminhados pela Horta comunitária Joana de Angelis. Para participar do Atelier Terapêutico é necessário inscrever-se na Secretaria de Extensão do campus I. No Caps Santo Afonso, os participantes são encaminhados pelos psicólogos do próprio Caps. O enfoque teórico-metodológico que fundamenta a construção, a implementação, o monitoramento e avaliação do projeto; é de caráter transdisciplinar, envolvendo, portanto, profissionais de várias disciplinas e áreas de estudo. O público alvo constitui-se de crianças, adolescentes, adultos e adultos maiores. Além de disponibilidade para a atividade prática os alunos extensionistas também deverão participar de supervisão e de reunião semanal com toda a equipe dos centros de atendimento e de reunião com o coordenador do projeto e professor colaborador para elaboração e planejamento de atividades. As oficinas terapêuticas terão um máximo de quinze participantes. Os participantes destas oficinas serão selecionados pelo grupo de profissionais de cada espaço ou por adesão voluntária do participante. Os alunos extensionistas serão por um diário de campo que deve ser preenchido após cada atividade. Como forma de identificarmos as mudanças previstas nos indicadores de resultado e de impacto, será aplicado instrumento no início do processo ( março) e ao final do semestre (dezembro) adaptado a cada população participante. Para os adultos e Terceira Idade será utilizado o questionário para qualidade de vida da organização Mundial de Saúde e para os adolescentes e crianças será utilizado um questionário elaborado por Hutz e Koller com trinta questões do tipo Lickert a ser respondido pelos professores destes participantes. Quanto às atividades elas contemplarão práticas artísticas e criativas como a colagem, o desenho, a pintura e a modelagem com argila, sua utilização será estudada conforme cada público alvo. Quanto aos materiais artísticos utilizaremos: giz de cera, tinta têmpera, argila, lápis de cor, revistas, papéis diversos, sucatas, tesoura e cola. Será realizado um passeio por semestre(visita a museus ou ida à teatro), sendo que o custo do mesmo sairá dos pagamentos realizados pelos participantes( terceira idade e atelier terapêutico). Os encontros obedecerão ao formato de uma dinâmica de grupo, e caso haja necessidade também poderão ocorrer atendimentos individuais. O planejamento, execução, acompanhamento e avaliação contam com a participação de profissionais da saúde mental que atuam nos diferentes espaços já citados, professores e acadêmicos de graduação e pós-graduação dos cursos de Ensino da Arte na Diversidade, Arteterapia(graduação e pós-graduação) e Psicologia do Centro Universitário Feevale, assessoria da Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários. As oficinas de expressão artística e terapêutica serão desenvolvidas por acadêmicos, sob orientação dos respectivos professores, respeitando-se as práticas pedagógicas existentes nos projetos pedagógicos de cada curso. Além de disponibilidade para a atividade prática os alunos extensionistas também participam de supervisão e de reunião semanal com toda a equipe dos centros de atendimento e de reunião com o coordenador do projeto e professor colaborador para elaboração e planejamento de atividades. As atividades desenvolvidas nos diferentes grupos constituem-se basicamente de quatro momentos principais abaixo apresentados: A produção de conhecimento é também nossa proposta, e se dá, na medida em que diferentes formas de expressão em diferentes contextos estabelecem diálogo com os movimentos sociais e instituições da comunidade, promovendo a relação entre ensino, pesquisa e extensão, além de possibilitar o aprofundamento dos conhecimentos curriculares e de solidificar a relação teoria e prática. Os extensionistas verificam a teoria através da aplicação prática de atividades nos centros de atendimento, onde também podem ser realizadas observações por parte de acadêmicos da instituição, oferecendo atividades de parceria com o ensino. CONSIDERAÇÕES FINAIS A Feevale, como uma instituição inovadora e preocupada com o social que é já apóia este programa de atendimento às populações menos favorecidas trazendo aos participantes a possibilidade de expressarem todas suas vivências, angústias, ansiedades, medos, perdas, alegrias através da realização de atividades expressivas que são desenvolvidas uma vez na semana em cada um dos grupos citados anteriormente. Aprendemos com esta nossa prática que toda pessoa tem condições de realizar um trabalho expressivo e que ele vem repleto de vivências pessoais e culturais do indivíduo. Através deste trabalho expressivo pode-se construir e reconstruir a subjetividade. Além disso, estas atividades também se utilizam do criar e podem ser consideradas como um processo criativo, um meio de reconcilliar conflitos emocionais e de facilitar a auto-percepção e o desenvolvimento pessoal. Sabemos da necessidade existente de resgatar a criatividade na vida, principalmente com estas populações com as quais trabalhamos e este resgate pode ser realizado através destas atividades que desenvolvemos dentro deste projeto, na medida em que elas são utilizadas como facilitadoras e catalisadoras deste processo de melhoria da qualidade de vida. Portanto, o que se busca através da realização de atividades expressiva realizadas neste projeto é oferecer oportunidades a esta população de conhecer-se melhor, de conhecer sua subjetividade, já que é conhecendo a subjetividade que se conhece o mundo das ideias, dos significados, das emoções que foram construídas internamente pelos sujeitos a partir de suas relações sociais, de suas vivências e de sua constituição biológica. Desta forma o projeto Arteterapia, instrumento de transformação social atua em instituições da área da saúde bem como do ensino, com pessoas que de outra forma não teriam atendimento de suas demandas, afirmando assim o valor destas ações na comunidade. Os acadêmicos ao trocarem experiências com os participantes destes diversos espaços aprendem através desta troca e envolvem-se integralmente nas três dimensões da vida universitária ( ensino-pesquisa-estensão). Os conhecimentos construídos foram socializados através da produção de artigos e de suas publicações em revistas ou livros dentro da área e também através da participação em congressos e do salão de extensão da instituição, contribuindo na formação estudante extensionista. REFERÊNCIAS
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