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Educação Não-Formal: buscando a qualidade através da avaliação participativa

GENRO, Maria Elly
FELIX, Glades T.
LEITE, Denise B. C.
MACHADO, Renata Silva

Resumo

Este artigo procura socializar o trabalho de pesquisa e extensão universitária desenvolvido pelo grupo Inovação e Democracia - GID, parte do GrPesq Inovação e avaliação, CNPq e PPGEDU/UFRGS. Nesta análise apresentamos resultados preliminares desta vivência no âmbito de uma investigação sobre avaliação participativa (AP) num contexto de educação não formal.

Palavras-chave: Educação não formal; avaliação participativa; inovação e democracia

Abstract

This article tries to socialize the research work and academical extension pratices’ developed by the group Innovation and Democracy - GID of PPGEDU/UFRGS. In this analysis we present preliminary results of this experience in the extent of an investigation about the participative evaluation (PE) in the context of non formal education.

Keywords: Non formal education; participative evaluation; innovation and democracy

Introdução

Através deste estudo buscamos socializar nossa investigação acerca de uma experiência com a avaliação participativa (AP) realizada num contexto de educação não-formal, especificamente numa Organização Não Governamental, denominada Associação das Famílias em Solidariedade (ONG AFASO), localizada na Vila Fátima em Porto Alegre-RS. Nesta análise apresentamos resultados preliminares desta vivência no âmbito de uma investigação sobre Avaliação Participativa - AP.

Inserida nesta realidade está a instituição, constituída há 10 anos, para a qual os padrinhos, que são famílias italianas e brasileiras, contribuem financeiramente, com o propósito de apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade social participantes do projeto, atendendo seus filhos no turno inverso da escola.

Para Milani (2003, p.6), a cultura de paz e violência necessita “de programas que podem ter como objetivos a melhoria das relações interpessoais, o protagonismo juvenil, o diálogo, a inclusão, o respeito às diferenças ou a cooperação”.

O processo de investigação no contexto de um trabalho de extensão universitária é desenvolvido pelo Grupo Inovação e Democracia-GID, formado por professores e estudantes da UFRGS e PUC, que fazem parte do Grupo de Pesquisa Inovação e Avaliação, certificado pelo CNPq, em parceria com a Ação para a Justiça e Paz (AJP), de Portugal. Esta pesquisa está vinculada ao programa de pesquisa “Avaliação Participativa: Online e Off-line”, apoiado pelo CNPq.

A busca e o estudo de casos de práticas avaliativas participativas justificam-se por serem iniciativas em direção à sistematização de experiências dispersas. Um web site desenvolvido para armazenar um banco de dados com os casos estudados disponibiliza e divulga à comunidade novas possibilidades de avaliação.

Os procedimentos metodológicos consistiram em registrar o caso no protocolo publicado em página da internet, o qual integrará futuramente um banco de textos, além de proporcionar a extração de dados norteada por categorias pré-definidas no projeto. Os casos de práticas avaliativas protocolados estão sendo armazenadas no site www.avaliacaoparticipativa.producao.ufrgs.br, onde alguns casos já se encontram disponíveis para consulta online.

Esta dinâmica de inserção teórico-prática identifica-se com a proposta do GID de intensificação da interação entre os saberes produzidos na universidade e nas comunidades, indo ao encontro das demandas da sociedade; justifica-se por ser uma comunidade que convive com a cultura da violência e, por isso, torna-se um espaço potencial para a viabilização de projetos sociais, que buscam corresponder às demandas locais. Compreendemos que as diferentes formas de violência são obstáculos à vida associativa da comunidade, o que não anula, as aspirações dos sujeitos que visam às transformações sociais e culturais.

Os educadores sociais da AFASO, sujeitos da investigação, desenvolvem atividades que oportunizam ações que minimizam as dificuldades identificadas na comunidade. Tais ações caracterizam-se por atividades com crianças e adolescentes, através de oficinas, contemplando reforço escolar, jogos, dramatização, entre outras, visando à promoção da cidadania e solidariedade. Isto não remete aos investigadores um olhar desprovido de análise crítica, pois os aspectos limitantes são tencionados para a construção de possibilidades.

A nova cidadania tanto se constitui na obrigação política vertical entre os cidadãos e o Estado, como na obrigação horizontal entre cidadãos. Com isto, revaloriza-se o princípio da comunidade e, com ele, a idéia de igualdade sem mesmice, a idéia de autonomia e a idéia de solidariedade. (SANTOS, 2000, p.277).

A seguir descrevemos os encontros pedagógicos desenvolvidos com os educadores. Os conteúdos preocuparam-se em atender às necessidades dos sujeitos sem formação pedagógica básica, cujas lacunas de formação têm gerado insegurança e instabilidade nas ações.

As oficinas de formação dos educadores foram propostas pela coordenação da instituição, pelos educadores e pelos professores e alunos da GID. Esta atividade se constituiu a partir das necessidades de uma formação continuada de educadores atuantes no contexto da educação não-formal, ou seja, compreendemos que:

Os espaços de educação não-formal deverão ser desenvolvidos seguindo alguns princípios; apresentar caráter voluntário, proporcionar elementos para a socialização e a solidariedade, visar ao desenvolvimento social, evitar formalidades e hierarquias, favorecer a participação coletiva, proporcionar a investigação e, sobretudo, proporcionar a participação dos membros do grupo de forma descentralizada. A partir destas primeiras caracterizações, fica claro que não há como pensar a educação não-formal desconsiderando a comunidade, pois é difícil o envolvimento voluntário das pessoas com algo com o qual não se identificam (SIMSON, PARK e FERNANDES, 2001, p.11).

A preocupação era socializar uma proposta introdutória de formação continuada para os educadores, a escolha de temas prioritários para reflexões, atendendo às necessidades do trabalho dos sujeitos e, ao mesmo tempo, trabalhando a avaliação. Foram desenvolvidas atividades em pequenos grupos (dinâmicas) para detectar as dificuldades e expectativas dos sujeitos em relação ao trabalho. Durante esta interação surgiram como questões centrais de discussão as práticas atinentes ao processo de avaliação. Frente a esta expressão, elegemos a avaliação como foco teórico e prático, como um fio condutor a ser perseguido em nossas atividades. Qualquer tipo de avaliação tem implicações que nos remetem a uma tomada de decisão. Segundo Sobrinho (2002), não há avaliação neutra, exatamente por não existir um modelo único. Isso faz com que o processo seja distinto em consideração a situações concretas, pois em cada caso acontece uma relação singular entre os atores envolvidos de maneira que as implicações adquiram significados próprios.

A seguir descrevemos algumas dentre as atividades realizadas.

Desenvolvendo Atividades

1ª atividade: foi realizada a introdução e o debate com os educadores sobre a questão da “Cultura da violência e da paz”, a partir de relatos próprios e possíveis reflexões teóricas sobre a mesma. A metodologia desenvolvida exigia a prévia leitura de um texto, indicado no encontro anterior. Observamos e avaliamos que o debate realizado não vingou com base no autor sugerido, apontando a falta de hábito da leitura da palavra escrita. Segundo Freire (1982) a construção de uma pedagogia problematizadora deve articular a leitura do mundo com a leitura da palavra escrita. No processo de interlocução foi-nos permitido pelo grupo o uso de gravador para que pudéssemos registrar o debate em questão para entendê-lo e analisá-lo posteriormente.

2ª atividade: de modo significativo, foi abordado pela assistente social do GID a temática “Família e comunidade”. Percebemos certo desinteresse pelo assunto, mas mantivemos o estabelecido coletivamente, visto que nossa organização como grupo investe em reuniões preparatórias de planejamento e avaliação do contexto, no sentido de intervir para atingir patamares mais elevados de qualidade. Propusemos para discussão a exploração do vínculo familiar, o reconhecimento dos cuidadores para com seus filhos e a diferença e articulação entre cuidadores e educadores. A aquisição de conhecimentos, apoio e o trabalho em parceria, que podem auxiliar nas atividades, partindo do conhecimento familiar, e da visão que cada criança apresenta foram os temas mais questionados pelos participantes, talvez por serem vivenciados no cotidiano da AFASO.

3ª atividade: na seqüência, o debate foi reaquecido sob a coordenação de uma especialista com a temática “Sexualidade na adolescência: possibilidades e desafios”, que teve os objetivos de discutir as idéias que envolvem a palavra sexualidade e refletir sobre elas em pequenos grupos, apresentando-se as diferentes concepções e confrontando as idéias elaboradas sobre o assunto, enquanto dava-se o reconhecimento das questões da sexualidade em diferentes formas de comunicação.

4ª atividade: a partir destas discussões que até então vinham predominando, foi solicitado e ocorreu uma oficina intitulada “(In) disciplina”, oportunidade que trouxe a perspectiva de um novo olhar sobre o tema apresentado por um psicólogo. A ênfase recaiu na questão indisciplinar, porque os adolescentes conhecem as regras, as leis, e estas podem ser burladas, negadas, conforme a percepção dos educadores. Os limites pressupõem a responsabilidade, o diálogo, a criação de regras e que aprendam a respeitar para serem respeitados. Foi sugerido um momento de assembléias para que os sujeitos pudessem discutir as questões existentes na sociedade. Os educadores participaram dos debates, exemplificando com casos rotineiros de indisciplina das crianças e adolescentes que freqüentam a instituição. Foi abordada a teoria de Piaget para chamar a atenção sobre a importância da construção da autonomia. Conforme o andamento das reflexões, demandado pelos educadores, foi indicada uma bibliografia para o aprofundamento destas questões.

5ª atividade: como todo processo, chega um momento em que devemos parar para respirar e avaliar o que estamos fazendo, como o estamos fazendo, quais os resultados disso. No intuito de valorizar o eixo principal das nossas atividades no grupo, os educadores enfatizaram a importância da avaliação das atividades desenvolvidas, e em uma avaliação geral, por escrito, apontaram suas práticas para o atendimento de diversas necessidades, possibilitando melhorias na instituição.

A formação, na sua essência, dialogou com a prática, porém, foi necessário ampliar a discussão nos encontros, elevando com isto as possibilidades e enfrentamento das dificuldades no ambiente institucional. A seguir descrevemos o processo avaliativo no encerramento do semestre.

Desenvolvendo a Avaliação

No primeiro momento da avaliação solicitamos que os educadores relatassem os encontros a partir das contribuições relativas aos temas trabalhados, às expectativas concretizadas, às dificuldades e às perspectivas para o futuro. A partir disso, os educadores organizaram a produção da avaliação da seguinte maneira: o que marcou em cada encontro, expectativas e o que pode melhorar.

O grupo que participou do encontro final para a produção da avaliação organizou-se em subgrupos. Foi elaborado um relatório discorrendo sobre as temáticas, ao mesmo tempo em que responderam às questões supracitadas.

No segundo momento da avaliação trouxemos como proposta um instrumento de coleta de dados (questionário) que objetivava as respostas dos participantes referentes ao tema, duração dos encontros, abordagens, palestrantes, entre outros, mas também propiciava uma auto-avaliação da participação nos encontros propostos pelo grupo.

A partir disso, alguns apontamentos importantes foram transpostos, tais como: drogadição, abrangendo drogas no ambiente familiar e escolar; aprofundamento do tema sexualidade; freqüência dos encontros; alguns educadores colocaram a possibilidade de os encontros ocorreremm duas vezes por mês; formação de um grupo para a coordenação e gestão de políticas institucionais; técnicas de oficinas: fomentar espaços mais dinâmicos e com maior discussão, menos expositivo (palestra), discutir o papel do voluntário e a política de voluntariado, assim como a rotatividade do grupo de colaboradores.

Questões sobre avaliação participativa e democracia

O processo avaliativo construído coletivamente precisa partir de alguns pressupostos entre outros, para qualificar as atividades de extensão e pesquisa construída nos embates entre universidade e sociedade, tais como a construção da autonomia dos sujeitos, o trabalho em parceria e o exercício democrático de debates sustentados teórica e experiencialmente. Sobre isso, Leite (2005) nos adverte que:

a avaliação pode favorecer a compreensão coletiva sobre as qualidades positivas, pontos fortes, aspectos em que a instituição se auto-reconhece melhor do que outras. Permite revisar as falhas, os erros, e também, definir prioridades. Avaliar pode ser a ação que dará impulso às mudanças. (p.29)

Novos caminhos para a diminuição das desigualdades sociais passam pela formulação de um projeto de sociedade que precisa ser redesenhado a partir da sintonia com a realidade onde se insere o promotor da igualdade e do exercício da cidadania.

Neste contexto de desigualdades, buscamos a superação de uma cultura avaliativa gerencialista, induzida pela criação de sofisticados mecanismos de controle e responsabilização que colocam em questão a autonomia e a democracia. Na contracorrente da avaliação gerencialista, explicitamos algumas características e princípios da avaliação participativa (LEITE, 2003). Se o índice de democracia representativa caracterizou o nível de participação dos sujeitos envolvidos nos diferentes modelos avaliativos sedimentados, sob o enfoque político filosófico do liberalismo; no formato da avaliação participativa, o signo e o ônus da eqüidade e da justiça nos impulsionam para a busca de uma outra epistemologia e ética para nossas práticas avaliativas, ou seja, a busca da democracia forte (BARBER, 1997) ou participativa (LEITE, 2003) como fundamento das práticas.

Para que possamos introduzir e aprofundar este tema, retomamos as fundamentações de Barber (2004) uma vez que concentra e revisa a questão de modo geral, partindo dos clássicos e redimensionando-os à luz do presente, o que pode nos ajudar a manter a unidade conceitual. Ao referir-se a regimes democráticos, em sua tipologia conceitual, Barber (apud LEITE, 2003) apresenta duas possibilidades; a democracia representativa e democracia direta.

Para este autor, a democracia representativa compreende os formatos autoritário, jurídico e pluralista, cujo modelo político vai variar do autoritário, arbitrário ao regateio e trocas, enquanto que o seu valor estará na ordem, no direito e na liberdade. Ao tratar de democracia direta apresenta as formas unitária e forte. Neste enfoque, o modelo político vai do consenso à participação; o valor está na unidade e na atividade, o projeto institucional pode ser simbólico ou populista, o tipo de cidadania, ativa unificada e ativa descentralizada, que leva ao tipo de governo ativo centralizado e ativo descentralizado, no qual a racionalidade extrínseca requer a vontade geral ou, em uma segunda hipótese, a ausência dessa vontade geral.

Para Leite (2003) o estudo da avaliação participativa parte do aprofundamento do enfoque político filosófico do socialismo sem fim, (utopia) cujos destinatários devem ser gestores, comunidade, representantes eleitos, com o objetivo de instaurar uma avaliação mediante a negociação, transformação, transparência, legitimidade e decisão coletiva. Tudo isso através de uma ética objetiva em que as relações de escuta ao outro são favorecidas na interação política e produção do bem público.

Retomando as atividades

6ª atividade: após este momento de crescimento com o exercício da avaliação participativa, foi dada continuidade ao processo formativo. Nesse contexto, a oficina denominada “Um olhar sobre as práticas” teve o objetivo de oportunizar aos participantes um olhar crítico sobre a realidade de trabalho, sua intervenção e principalmente poder se colocar no lugar do outro (empatia). Salientamos que a atividade desenvolveu-se a partir de observações posteriores apresentadas pelas educadoras, cujo conteúdo despertou-nos para a rica oportunidade de explorar as práticas cotidianas apontadas por elas.

A interação realizada iniciou-se com a colocação de adesivos nas costas dos participantes contendo adjetivos como: inteligente, fofoqueira, mentirosa, líder etc., sem que soubessem ao que se referia o adesivo. Foi propiciado um momento de relacionamento, tendo como entendimento central a palavra do adesivo, sem revelar o que ela dizia, apenas pistas. Após, foi colocado outro adesivo, agora na testa e em branco, solicitando que os colegas escrevessem adjetivos verdadeiros sobre aquela pessoa. Todos participaram. A seguir os participantes discutiram a sensação que tiveram no primeiro momento da dinâmica, suas percepções acerca dos estereótipos, as estigmatizadoras experiências que trazemos da infância e adolescência e, principalmente, a crítica sobre as intervenções e práticas cotidianas nas escolas, abrigos e lares. Depois da reflexão, o participante, pelas pistas recebidas, tentava descobrir o que estava escrito nas costas e logo tirava o adesivo que afirmava ou desconfirmava. Só após isso, retirava o adesivo da testa, que corresponderia a seus verdadeiros valores, segundo o ponto de vista dos colegas.

Essa experiência gerou descontração e informalidade, proporcionando adesão e cooperação. A atividade contribuiu para os participantes reconhecerem-se como um coletivo. Os educadores inicialmente se comunicavam tentando adivinhar o que estava escrito e apresentavam momentos de desconfiança, mas ao mesmo tempo de integração e participação.

Nas discussões pudemos sinalizar as questões já trazidas anteriormente pelo grupo, como: crianças difíceis de trabalhar, o que não vai bem na escola, o que não sabe desenhar, aquele que é violento, bate em todos, e aquela que é dançarina. A partir disso, foi proporcionando um espaço para um novo olhar, desta vez, mais atento, sobre a prática, sobre intervenções e principalmente sobre o manejo do grupo. A sinalização de estereótipo, de etiquetagem e de rotulagens, leva o indivíduo a produzir-se e a reproduzir a partir do olhar que recebe. O educador, como profissional responsável pelo grupo, tem condições de manejar estas situações que, nas turmas de comunidades de baixa renda acontecem com freqüência. O cuidado com a reprodução desses vícios é o que gostaríamos de sinalizar aos educadores sociais. Sabemos que não há fórmula pronta e inacabada, aprendemos cotidianamente, porém a importância de não nos abandonarmos, de nos cuidarmos, de olharmos para nossas ações e nossas práticas, procurarmos uma perspectiva de trabalho que recicle este educador, tensiona pela reflexão teórica, pela avaliação em conjunto de cada prática vivida.

Durante esta oficina, quando foram colocados adjetivos verdadeiros pelos colegas, os participantes demonstraram sentir-se bem, mais confiantes. Sinalizamos, neste momento, que todos precisamos de incentivo, que a prática muitas vezes se torna “massacrante” e que sozinhos não conseguimos enfrentar certas situações. O coleguismo, o apoio, a formação e a informação, conseguem trazer ao cotidiano de trabalho novos valores que, muitas vezes, durante a caminhada, acabam se perdendo.

Isto nos encaminha para a necessidade de reconstrução permanente desta dinâmica, considerando que a prática pedagógica é um contexto social fundamental, através do qual se realiza a reprodução e a produção cultural. Envolve práticas organizativas, discursivas e de transmissão de conhecimentos e produção de cultura. (BERNSTEIN, 1998, P. 15).

Ao final, enfatizamos a iniciativa do grupo de buscar uma formação, capacitação e qualificação para o enfrentamento de questões pertinentes à sua trajetória profissional, repensando e refletindo a partir da conjuntura social na qual estão inseridos.

Alguns Resultados

As considerações expostas no corpo desta experiência que reúne investigação e a prática da extensão nos permitem apontar os resultados parciais que apresentamos a seguir.

Ao longo da história já experimentamos inúmeros formatos de avaliação, dentre as quais podemos colocar que o estado da arte e a pesquisa em torno da temática têm se desenvolvido a partir de inúmeros modelos básicos, passando dos clássicos aos contemporâneos. Dentre estes, o grupo optou por fundamentar esta trajetória pelo enfoque avaliativo defendido por Leite (2003), ou seja, a avaliação participativa.

Esta concepção de avaliação possibilitou a aprendizagem da formação, trouxe a importância do pertencer, do conhecer, do capacitar-se e, principalmente, da continuidade das atividades, segundo os educadores.

A partir disso, foi possível estabelecer melhor relação com o grupo da AFASO, de modo que a decisão de experimentar instrumentos de avaliação mais democráticos e participativos, como a construção de um portfólio coletivo, poderá em médio prazo, fazer a diferença no que diz respeito à inserção e à intervenção qualitativa nas práticas de educação não-formal, exatamente pela oportunidade do registro dos dados e fatos e pela sua possível recriação.

Destaca-se a importância do diálogo permanente entre a coordenação da ONG e seus colaboradores, principalmente no que se refere à rotatividade dos educadores e à política do voluntariado, que devem estar fortalecidas para o crescimento institucional. A abordagem destas questões sugere-se sejam contemplada na continuidade dos encontros e na formação de um novo grupo de discussão que aborde essencialmente um programa de gestão dentro da perspectiva de trabalho “cuidando do cuidador”.

Outro dado significativo que se revelou foi o interesse dos educadores pela continuidade dos encontros, uma vez que inicialmente demonstravam apatia, possivelmente por trabalharem de modo isolado, sem apoio pedagógico e incentivo a suas ações. Além disso, há o fato de compreenderem que a aprendizagem e as vivências são patrimônios que levamos para vida profissional e pessoal e que esta bagagem também é adquirida em situação de estágio, como é o caso de muitos, já que, por a ONG ser uma instituição sem fins lucrativos, investe no voluntariado e em monitorias temporárias.

Buscamos uma práxis educativa democrática, tencionada pelas singularidades, que procurou ir ao encontro das necessidades dos grupos, ancorada em valores, conhecimentos e experiências, que podem ser potencializadas pela Avaliação Participativa - AP, nos múltiplos lugares da prática social. Esta dinâmica pode mobilizar sensibilidades, desejos e capacidades de uma subjetividade individual e coletiva autotransformadora, no sentido do bem público. Portanto, como pesquisadores, docentes universitários e educadores sociais, aprendemos e ensinamos, permanentemente, ao longo das histórias que vamos tecendo.

REFERÊNCIAS

BARBER, Benjamín. Democracia fuerte. Madrid: Almuzara Estudíos, 2004.
BERNSTEIN, B. Pedagogia, control simbólico e identidad. Madrid: Morata. 1988.
DIAS SOBRINHO, José. Avaliação a Educação superior. Petrópolis, RJ. Vozes. 2000.
FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. 8 ed. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1982.
LEITE, Denise. Reformas Universitárias. Avaliação Institucional Participativa. Petrópolis: RJ. Vozes. Coleção Universitas. 2003.
MILANI, F. e JESUS, Rita de C. de P.de (Orgs) Cultura de paz, estratégias, mapas e bússolas. Salvador: INPAZ. 2003.
SANTOS, Boaventura S. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. 7 ed. São Paulo: Cortez, 2000.
SIMSON, P. PARKS, M. FERNANDES, R. (orgs.) Educação não-formal. Cenários de criação. Campinas. São Paulo: Editora Unicamp, 2001.